Ele era bonitinho, engraçado e bom amigo.
Ele me amava.
Tínhamos seis anos, e o Acácio era apaixonado por mim. Passava todos os dias na minha casa e chamava por mim às 7h00 da manhã pra gente ir junto pra escola.
Eu odiava. Queria morrer quando ouvia ele chamar, mas a mãe achava lindo isso e lá íamos eu, ele, minha mãe e a vó dele para a escola; o caminho era curto, e assim que passávamos do portão eu dava um jeito de fugir dele. Sério, eu fugia dele.
Na sala de aula ele fazia questão de sentar perto, ficar puxando assunto (como se crianças de seis anos tivessem muito pra conversar... Haha).
Eu era nerdzinha; entrei na escola sabendo ler e fui a primeira a escrever meu nome sozinha. Ele era leeento... não conseguia fazer as lições, ficava nervoso e chorava, como chorava aquele garoto; eu achava ele fraco e tinha vergonha de andar com ele. Vergonha de ser vista com o menino chato que chorava sempre que não conseguia fazer um desenho.
Crianças são crueis; e isso é conprovado por qualquer um que estiver disposto a passar meia horinha que seja em uma escola.
E logo eu, entre todas as pessoas tratava ele daquele jeito. Perdi, talvez, a oportunidade de conhecê-lo melhor e de ter uma amizade que talvez tivesse durado. Ainda esbarro com muita gente daquela época e se tivesse a oportunidade de encontrá-lo novamente pediria desculpas por ter sido tão má com ele. Porque dói ser rejeitado, não importa a idade ou o momento da vida.
Não lembro mais o nome completo dele, nem sei se ele lembra de mim... Mas espero que a vida dele tenha sido boa e que ele tenha encontrado meninas menos chatas pra se apaixonar.
Quem sabe eu perdi o meu amor na pré-escola.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
O primeiro a gente nunca esquece
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