segunda-feira, 12 de novembro de 2012

No que eu creio

Há algum tempo tenho me revoltado com o posicionamento de algumas pessoas, conhecidas ou não, sobre algumas questões relacionadas à fé cristã.
Gostaria de deixar registrado aqui que esse deus que estão pregando por aí passa muito longe do Deus que eu conheço. 
No livro "Um conto de Natal" de Charles Dickens, durante seu encontro com o espírito do Natal, Scrooge pergunta a ele qual o motivo dele permitir tantas coisas ruins feitas em seu nome, e a resposta dada foi a seguinte:
- Há certas pessoas neste mundo que dizem que nos conhecem e cometem atos de paixão, orgulho, maldade, ódio, inveja, hipocrisia e egoísmo em nosso nome; mas elas estão tão longe de nós, que é como se nunca houvessem existido. Lembre-se disso e ponha a culpa nela, não em nós.
É isso. Todos nós, como seres humanos, temos a liberdade de escolher dizer, falar e fazer o que quisermos, mas há aqueles que em nome de algo ou alguém, ultrapassam os limites do bom senso, da ética e tudo o mais. Deus não precisa que o defendam, claro, mas em vista de tanta gente falando e fazendo coisas em nome dele, creio que tenho a obrigação de apresentá-lo do jeito que o conheço.
Não há nesse mundo um ato de violência, física ou verbal, ou agressão de qualquer tipo que o represente. Dessa forma, se alguém diz que ama a Deus e é preconceituoso, homofóbico,  ou qualquer coisa desse tipo, essa pessoa está sendo hipócrita. O meu Deus é amor. Amor não julga, amor não fere, não machuca, não discrimina, não odeia. Não vou viver enclausurada numa cápsula, fugindo do mundo real porque sou cristã;  sou livre, pois tenho consciência de quem eu sou. 
Sinto vergonha de pessoas que se posicionam contra o que não conhecem, e o fazem de uma forma tão odiosa e terrível que fazem totalmente o contrário do que o próprio Jesus fez enquanto esteve na Terra. Jesus tinha amigos, ia a festas, bebia vinho. Acredito no que fui ensinada, de que enquanto estava aqui ele teve as duas naturezas, humana e divina, e sendo assim, creio que ele, como qualquer ser humano, gostava da companhia de pessoas que o faziam bem, que o amavam. Na verdade, as únicas pessoas que o vemos condenar são, novamente eles, os hipócritas que em sua ânsia de cumprir a Lei não conheciam e desfrutavam do amor de Deus; esses sim ele criticava e condenava.
Não quero dizer com isso que sou a pessoa mais perfeita do mundo e um grande exemplo pra ninguém, mas enquanto eu viver vou tentar, passo a passo, seguir ao que tenho conhecido. Quero por onde passar, que as pessoas saibam que eu não tenho parte com esse tipo de fé que tem sido pregado; na minha comunidade o que se prega e sobre o que se fala é do amor de Deus. É nisso que eu creio e essa é a bandeira que eu levanto.

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