sábado, 8 de setembro de 2012

Dor



   Nessa última semana, segunda-feira, fui acordada por uma notícia que não me deixou muito feliz; na verdade, fiquei muito irritada. E a primeira coisa foi pensar "mas que droga, se a semana já começou assim, imagina o que me espera no resto dela, no resto do mês, do ano (sim, drama!)?"
   Como habitual fui chorar as mágoas e recebi o recorrente conselho de "transforme isso em algo produtivo; vai estudar". Segui o conselho, porque né? Melhor ficar irritada fazendo alguma coisa do que ficar remoendo.
   Algum tempo depois liguei a TV e a primeira coisa que vi foi que havia ocorrido um incêndio em uma favela e que mais de 1.000 pessoas ficaram desabrigadas. Diante disso, o que falar? O que fazer?
   Gente, é incrível como sempre que to mal, deprimida ou estressada com meus problemas, eu vejo algo que me deixa envergonhada de ficar reclamando, sabe?! É impressionante como  às vezes somos egoístas e, na maioria das vezes, indiferentes às coisas que acontecem ao nosso redor.
   Quando eu era criança, machuquei o pé em uma ocasião e sentia muita, muita dor. Foi num final de ano e, na virada eu estava com dor; naquele dia tocou uma música que se tornou um marco. Ela tem uma frase que diz "ame ao seu próximo como se fosse você, como se a dor que ele sente, fosse a que sente você". Eu estava com dor, e naquele momento eu senti, mesmo que não entendesse, o que é ter compaixão, sentir a dor do outro. Não adianta escrever palavras bonitas, não adianta fazer grandes ações, não adianta nada se a gente não sentir a dor do outro como se fosse a nossa.
   Na tarde de segunda-feira eu senti vergonha; me senti mal por estar emburrada por um motivo tão pequeno diante da imensidão da dor daquelas pessoas que perderam sua casa, suas roupas, sua dignidade, por assim dizer. 
   Todos temos problemas, preocupações, e sim, são coisas que nos deixam tristes; mas o meu pedido é que nós nunca deixemos de ter compaixão; nunca olhemos com indiferença pra o que acontece ao nosso redor. E que toda vez que formos reclamar, transformemos isso em algo produtivo; exercício esse que estou tentando fazer. Penso nisso não como uma motivação pra que eu me sinta melhor, mas que eu consiga fazer algo melhor com aquilo que tenho, com aquilo que eu sou.

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